A fadiga no trabalho é causada por um conjunto de fatores, nomeadamente, fisiológicos, psicológicos, ambientais e sociais.

Dada a diversidade de definições existentes sobre a fadiga no trabalho, será bastante complexo encontrar uma definição que seja globalmente aceite, contudo, considera-se fadiga no trabalho a alteração no mecanismo de controlo psicofisiológico, quando este não responde adequadamente às exigências do trabalho, ou responde com aumento de esforço da resistência física e mental (Dijk & Swaen, 2003). Segundo esses autores, aproximadamente 20% da população ativa relatam sintomas que se enquadram no conceito de fadiga.

Em contexto de trabalho, a fadiga é um estado de esgotamento mental e/ou físico que reduz a capacidade do individuo para realizar a sua atividade de forma segura. A fadiga é mais do que uma sensação de cansaço e sonolência. As características individuais e as condições de trabalho contribuem para a fadiga no trabalho (Figura 1). Esta, é frequentemente apontada como uma das causas dos acidentes de trabalho.

 

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A fadiga pode ser descrita como aguda ou crónica. Os efeitos da fadiga aguda são de curta duração e, geralmente, pode ser eliminada por sono ou repouso. É o resultado da falta de sono por um período curto, ou breves períodos de intensa atividade física ou mental. Quando não podemos adequadamente recuperar a fadiga, então falamos de fadiga crónica. Esta síndrome, refere-se a um estado de fadiga grave, que não consegue ser aliviada pelo descanso.

Há vários fatores que contribuem ou estão mesmo na génese da fadiga, entre eles:

Falta de horas de sono;
Esforço físico elevado;
Trabalho intelectual intenso;
Trabalho sob stress;
Ambiente térmico (temperaturas extremas);
Ambiente saturado (falta de oxigénio, fumo, etc);
Duração do trabalho;
Trabalho em posições incorretas;
Deficiente iluminação;
Trabalho por turnos;
Ruído;
Conflitos, etc.
As consequências da fadiga a nível individual são, essencialmente:

Dores de estômago e cabeça;
Insónias;
Alergias;
Irritabilidade;
Estado depressivo;
Perda de apetite;
Etc.
Para a organização representa:

Baixa produtividade;
Taxas elevadas de absentismo;
Acidentes de trabalho;
Etc.
Alguns estudos têm demonstrado que quando os trabalhadores dormem menos de 5 horas ou permanecem acordados mais de 16 horas consecutivas, o risco de erros causado pela fadiga no trabalho aumenta drasticamente (CCHST, 2012).

Segundo WorkSafeBC (2014), a fadiga pode ter efeitos semelhantes ao do consumo de álcool:

17 horas sem dormir é equivalente a um nível de álcool no sangue de 0,05;
21 horas sem dormir é equivalente a um nível de álcool no sangue de 0,08; e
De 24 a 25 horas sem dormir equivale a um nível de álcool no sangue de 0,10.
Conforme já exposto, a fadiga é um fenómeno que causa mal-estar, provocando alterações fisiológicas e psicológicas, resultante de esforço físico e/ou mental associado às condições ambientais, individuais e de trabalho, afetando a capacidade para o trabalho (Masson, Monteiro & Vedonato, 2015).

É possível prevenir os estados de fadiga, através da flexibilidade horária, diminuição da intensidade e duração do trabalho, melhoria das condições de SST, entre outros.

É pertinente ter em conta, que não é o trabalho em si que é nocivo, mas sim, a forma como ele é organizado. A fadiga no trabalho está relacionada com as condições de trabalho e reflete-se no desempenho do trabalhador, afetando também a sua saúde.